Pages

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Diálogo entre o secularismo e as tradições religiosas - reflexões de Habermas

O processo de formação humana, tal como exposto em posts anteriores, é algo impossível de ocorrer sem a contemplação, o esclarecimento e comprometimento progressivos do ser particular com o sentido daquilo que o humaniza e o orienta em seu estar no mundo. A despeito desta insubstituível dimensão formativa singular, dificilmente esta pode ocorrer sem que os entes particulares entrem em contato com instâncias do mundo social e cultural que lhes facilitem, promovam ou instem a trilhar seu próprio caminho formativo. Isto não quer dizer que serão as estruturas do mundo social e cultural que irão proporcionar a formação humana - mesmo porque, em muitos casos, o desenvolvimento humano pessoal, orientado pelo discernimento espiritual, ocorre apesar daquelas estruturas e não por conta delas, veja-se, o caso, por exemplo de Viktor Frankl, Gandhi, Martin Luther King e muitos outros -, mas um determinado clima de esclarecimento espiritual e formativo existente na sociedade pode ajudar alguns em seu trajeto formativo-espiritual próprio.

Neste sentido, considero muito promissora a hipótese de representantes da cultura secular ocidental passarem a se dar conta de que o sentido da vida humana depende de algo mais além da tradição iluminista radical que estruturou o secularismo na maioria das nações ocidentais. Com este espírito, incluo abaixo o link para um artigo de Frédéric Vandenberghe (Professor e Pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos - IESP-UERJ) sobre as últimas reflexões do filósofo Habermas a respeito da contribuição que pode advir do diálogo entre a tradição do esclarecimento secular dos países ocidentais e as tradições religiosas. Não se trata, como se pode ver no artigo, de nenhum dos lados abdicar totalmente em favor do outro, mas, sim, de que o próprio esclarecimento humano possa vir a se aprofundar.

O artigo foi publicado no boletim CEDES. Para ir direto ao artigo, clique aqui.

José Policarpo Jr.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Convicção

Por Ferdinand Röhr

Nietzsche inicia a “Nona parte principal”, intitulada “O Homem consigo mesmo”, da sua obra “Humano Demasiado Humano, parte I”, com o aforismo n° 483, intitulado “Inimigos da Verdade”. Trata-se de apenas uma frase: “Convicções são inimigas mais perigosas da verdade que as mentiras”.

Escrever em aforismos foi uma opção intencional a fim de expressar sua aversão a argumentações racionais, sistemáticas e conclusivas. “Humano Demasiado Humano” foi a primeira obra em que ele se utilizou exclusivamente desse tipo de escrito. Uma das consequências da forma literária dos aforismos é a dificuldade de submetê-los a uma crítica pertinente. Porém, diante do modismo de usar aforismos nietzschianos como argumento em discussões acadêmicas, não dispensaremos uma análise crítica dos mesmos – no nosso caso, do aforismo mencionado.

Não podemos compreender adequadamente esse aforismo se não partimos da visão que o próprio Nietzsche tem da verdade. Para ele, não existe uma verdade última, eterna, única, válida universalmente. Nietzsche somente admite verdades historicamente localizadas, portanto relativas à situação, ao tempo, à localidade, à cultura, enfim, todas as verdades são relativas. Convicções, ao contrário, expressam uma pretensão de verdades válidas de forma incondicional, logo, inimigas da visão da verdade como relativa. Nietzsche expressa o grau de periculosidade desse inimigo na comparação com a mentira. A convicção é mais perigosa do que a mentira. Certamente, Nietzsche chega a essa conclusão porque existe a possibilidade de desvendar as mentiras e confirmar as verdades parciais. Isso não é possível em relação às convicções, pelo menos na visão que o próprio Nietzsche tem das mesmas.

Nos aforismos 629 – 638, entendemos mais claramente o que o nosso autor compreende por convicção. No aforismo 637, ele sintetiza: “Das p a i x õ e s brotam as opiniões, a  i n d o l ê n c i a  d o e s p í r i t o as faz entorpecer enquanto c o n v i c ç õ e s”. De acordo com essa compreensão, as nossas paixões, na qualidade de estados emocionais extremados, levam o homem a fazer afirmações que assumem o lugar de uma verdade inquestionável, uma convicção. Esta, historicamente, assume formas de credos religiosos, políticos e sociais que se confrontam, não raras vezes, com brutal violência. O que possibilita a crença irrestrita numa convicção é unicamente a indolência do espírito, no sentido de intelecto humano. Usando o intelecto, seria possível, na visão de Nietzsche, demonstrar em cada caso de convicção, que ela está baseada em pressupostos restritos, históricos e, portanto, não generalizáveis. O desejável para Nietzsche é que os homens aprendam a abandonar convicções, passando por várias delas  até perceber, enfim,  que é possível e mais adequado viver sem elas.

Poderíamos depositar mais credibilidade na convicção nietzschiana de encontrar no relativismo a fórmula para uma vida mais pacífica, se o próprio Nietzsche não houvesse enveredado numa luta discriminatória e violenta (em termos literários, a fragilidade física não permitiu outras formas) contra representantes de convicções diferentes da dele, principalmente do cristianismo. Só para dar um exemplo: na quinta sentença da “Lei contra o Cristianismo. Guerra mortal contra o vício: o vício é o cristianismo”, que se encontra no fim do “Anticristo”, Nietzsche afirma que “sentar-se com um sacerdote na mesma mesa, exclui. Com isso, excomunga- se a si mesmo da sociedade honrada. O sacerdote é o  n o s s o Tschandala (excluído, no sistema de castas na Índia antiga). Deve-se proscrevê-los, esfomeá-los, empurrá-los para qualquer tipo de deserto.” Afirmações desse tipo, que encontramos em grande número na obra de Nietzsche, revelam que a crença de Nietzsche na força humanizadora do relativismo tem a mesma origem na paixão, como as convicções que ele ataca. Quem não concorda, torna-se inimigo mortal.

Pergunta-se, portanto: somos condenados ao dogmatismo e à intolerância, tanto acreditando na verdade absoluta quanto na relatividade absoluta dela?

Mantemo-nos reféns dessas alternativas somente quando não questionamos os dois pressupostos básicos do pensamento de Nietzsche: O da não existência da verdade absoluta e o de que a paixão é o fundamento da convicção. Na primeira questão, podemos pensar na possibilidade da existência de uma verdade absoluta e, ao mesmo tempo, reconhecer que o homem, ao máximo, pode aproximar-se dela, mas não possuí-la. Essa é a posição de Sócrates, que o próprio Nietzsche combate com tanta violência. Em comum, a crença que em relação à verdade só existe a busca dela. O que os diferencia é que em Sócrates a busca tem uma direção determinada que seria a verdade em si, o que se torna impossível quando se acredita na inexistência dela. Mais ainda, se as certezas alcançadas no caminho não são de validade universal, será que elas não podem ser de validade individual, e mesmo assim assumir um sentido incondicional para esse individuo? Será que não podemos fazer a distinção entre dois tipos de convicção? Uma dogmática e impositiva, que tem sua origem em desequilíbrios emocionais, em relação à qual as críticas de Nietzsche são pertinentes, e uma outra que tem uma fonte que nem é irracional nem racional, mas suprarracional, conduzindo a uma atitude contrária ao dogmatismo, intolerância e violência. Consistiria em uma fonte íntima, no próprio ser humano, que indicaria quais valores e verdades correspondem a ele mesmo e quais as opções que o tornam sempre mais autêntico consigo, bem como os momentos em que tem certeza absoluta, que não pode optar diferentemente sem perder a si mesmo.

Decerto que temos de tratar tais momentos com um máximo de criticidade e retidão diante de nós mesmos. As que se sustentam na vida vivida podemos considerar convicções pessoais, capazes de orientar a nossa vida. Reconhecemos essas na sua característica principal: quem as tem, sabe que não são transferíveis. Tornar-se-ia convicção para o outro somente se ele passasse pelo mesmo processo difícil e doloroso de conquistar a mesma certeza em si.

Óbvio que Nietzsche não fez uma experiência desse tipo. Suspeitava motivações egoístas camufladas em cada sacrifício em prol das convicções dos outros. Isso pode ser verdade nas convicções baseadas em paixões. Sem dúvida, trata-se disso em muitos mártires que tinham como única motivação ganhar a vida eterna, ou nos homens-bomba, nos quais além da fé religiosa prevalece o ódio mortal diante do inimigo. Não acreditamos que esse seja o caso de Sócrates quando aceita sua morte, por considerar que é melhor sofrer uma injustiça do que cometer uma; de Gandhi, quando segue o princípio da não-violência, mesmo prevendo um possível atentado; da juíza Patrícia Acioli, que não abandonou a luta por justiça, ante policiais corruptos, sacrificando a própria vida; ou, enfim, dos inúmeros anônimos que se põem em risco, de uma ou outra forma, por convicção – isenta de interesses egoístas –, certos de que vale a pena o engajamento por um mundo melhor.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sobre Steve Jobs

Para mim – e certamente para milhões de pessoas – o mundo perdeu no dia de ontem (05/10/2011) alguém cuja vida trouxe grande contribuição à humanidade. Mais do que todos os produtos trazidos ao mundo por meio da inventividade e liderança de Steve Jobs, para mim sua maior contribuição consistiu em buscar sempre a melhoria da vida e das relações humanas por meio da contribuição tecnológica que suas mente e companhia podiam dar.

Jobs ganhou muito dinheiro, mas o fez não pela obsessão de ganhar dinheiro, mas de seguir o que sua intuição e seu coração orientavam. O dinheiro veio, mas ele mesmo soube abrir mão dele algumas vezes em prol de não abdicar dos seus sonhos, muitos dos quais compartilhados com boa parte da humanidade.

Acredito que Jobs tenha sido uma pessoa comum, com vícios e virtudes, mas acho que certamente foi alguém que soube canalizar suas potencialidades, tenacidade, coragem, inteligência e criatividade para coisas úteis que melhoraram o mundo. Ele ofereceu ao mundo o que podia e sabia dar e o fez de modo muito apropriado – não escondeu seu talento, mas o empregou bem e colheu bons frutos.

O mundo precisa de empreendedores dessa natureza.

Em sua homenagem, e desejando que sua mente reconheça a luz que tudo faz ver e emergir, faço abaixo o link para a música de outro inesquecível de muitos, George Harrison.

José Policarpo Jr.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sobre as distinções entre Educação, Formação Humana e Espiritualidade

Como afirmei em meu Post anterior, gostaria de enfatizar neste Post as diferenças, a despeito das aproximações, entre as ideias de formação humana, educação e espiritualidade.

A expressão Formação Humana alude à ideia de que a humanização é um processo. Nosso nascimento biológico e mesmo as diversas formas de socialização universalmente disponíveis não são, de per si, uma garantia de sua realização. Ao contrário, é imperiosa a existência de uma processual orientação do ser humano para tal finalidade, porém não de modo impositivo. É objetivo intrínseco de tal formação que ao longo desse desenvolvimento, possa o ser humano singular paulatinamente abraçar de forma autônoma e livre tal ideal formativo e dar-lhe continuidade de um modo próprio. Ao assim fazer, com o concurso de outros seres humanos também assim comprometidos, torna-se possível o surgimento e estruturação de vínculos, relacionamentos e mesmo espaços sociais favoráveis ao cultivo dessa própria formação. A formação humana implica a noção de que o homem seja capaz de tornar-se íntimo de si, de sua corporeidade, de seu comportamento, impulsos, emoções, sentimentos e do seu pensamento, compreendendo a estrutura, dinâmica e interdependência de tais aspectos, tanto na forma particularíssima como se manifestam no âmbito pessoal quanto nas variadas formas de expressão nos outros seres humanos. Tal compreensão é alargada pelo surgimento de um modo próprio de viver que se constitui pelo reconhecimento dignificante expresso em relação aos outros seres humanos e à natureza envolvente, de modo a se concretizar em atitudes de compromisso, respeito e cuidado nos âmbitos pessoais, interpessoais, comunitários, sociais, naturais e ambientais. Em síntese, a ideia de formação humana implica a crescente unificação de uma pessoa consigo mesma, processo por meio do qual também aumenta o senso de interdependência em relação aos demais seres, o que se traduz pelo declínio continuado da destrutividade e cultivo progressivo das atitudes de amor, abertura e sabedoria em meio ao mundo.

De acordo com o exposto acima, a formação humana é um processo de humanização que, por sua característica ampla, em conformidade com os diversos aspectos humanos que precisam ser humanizados, acontece em diversos espaços e contextos humanos, podendo se expressar na cultura (em sentido lato e stricto), na política, na religião, nas atividades referentes à saúde, na educação, na sociedade em geral, desde que estes se caracterizem pelos princípios e objetivos acima aludidos.

Quanto à ideia de educação, concebo-a como o processo que é dirigido e organizado intencionalmente por alguém ou por alguma organização em relação a outrem, com o objetivo de promover sua formação humana, tendo em vista sua condição e estágio específico de desenvolvimento. De acordo com o precedente, a ação educativa deve se pautar por características e limites cuja violação impede sua legitimidade como tal. A educação tem portanto por finalidade, ainda que quanto a aspectos determinados, a formação humana dos entes que estão sob seu cuidado. A educação, portanto, (e esta observação também é pertinente quanto à formação humana) não equivale diretamente ao processo de socialização, que sempre ocorrerá de um modo ou outro, sem necessariamente delimitar um objetivo formativo.

A educação ainda se caracteriza pela autoridade outorgada, conferida e/ou legitimada do educador em relação ao educando. Autoridade não significa ou não implica diretamente poder. No contexto educacional, seu sentido provém do termo latino auctoritas que alude à legitimidade conferida em decorrência de um saber legítimo e fundamentado. A educação, de acordo com tal sentido, não pode ser exercida sem que haja a legitimidade da autoridade que a desenvolve – justamente por isso, mais eficaz se torna à medida que maior legitimidade é reconhecida e conferida ao educador pelo próprio educando, para o que contribui imensamente a atitude de coerência e integridade do próprio educador.

A educação também se caracteriza pelo reconhecimento e respeito pela liberdade do educando, esta entendida não como a efetivação de caprichos ou simples desejos do ego, mas, sim, como princípio que o educando precisa encontrar em si e exercê-lo como instância capaz de orientar sua vida e condição no mundo. A liberdade do ser humano, como a busca e encontro de sua vocação no mundo, é território sagrado que deve ser respeitado pelo educador quanto à orientação dos seus educandos. O educador precisa ajudar o educando a encontrá-la, a saber ouvi-la e a exercitá-la, sem jamais impor sua vontade.

A educação também implica desenvolvimento de habilidades (como as diversas inteligências de que trata Howard Gardner), por meio de cujo domínio e apropriação as qualidades formativas humanas podem se expressar.

Por fim, compreendemos a espiritualidade como o entendimento, a vivência e o comprometimento com a realidade última que define o humano em sua relação consigo mesmo e com o Ser. Nesse sentido, a espiritualidade se expressa (não se constitui por, mas se manifesta) pela compreensão racional, pela experiência singular e pessoal, e pelo compromisso existencial com os princípios que se fundamentam naquilo que se revela na experiência pessoal. Portanto, a espiritualidade sempre se expressa por meio de valores como cuidado, atenção, compaixão, inteireza, equanimidade, destemor. Em decorrência do exposto, compreendo que a espiritualidade leva necessariamente ao entendimento de e ao compromisso com a formação humana em seus diversos aspectos. A formação humana, entretanto, pode vir a ser exercida sem que alguns dos aspectos constitutivos da espiritualidade tenham sido realizados. Assim, a título de exemplo, alguém que ignora por completo ou descrê de qualquer relação entre o ente humano e o Ser em geral, pode, entretanto, demonstrar-se comprometido com a formação humana. Todavia, no meu entendimento, por menor que seja, tal pessoa expressa de algum modo uma realização espiritual. Por outro lado, é para mim inconcebível que a espiritualidade não se expresse em formação humana. Neste caso, compreendo que este é um critério fundamental para desmascarar a espiritualidade que alardeia a si mesma, mas que não frutifica em meio ao mundo.

Em resumo, penso que a espiritualidade necessariamente se expressa na formação humana, embora esta não tenha que explicitamente remeter à primeira. Por outro lado, concebo a educação como parte da formação humana, sendo esta mais ampla que a primeira. Por fim, a espiritualidade que viola a formação humana denuncia a si mesma por aquilo que não é.

José Policarpo Jr.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Formação Humana, Espiritualidade e Filosofia da Educação

Os termos que intitulam este post serão temas de três eventos parcialmente simultâneos que ocorrerão em setembro ou outubro de 2012, na cidade do Recife, em datas e local a serem confirmados em breve.

Os eventos – I Encontro Internacional de Formação Humana, I Encontro Internacional de Educação e Espiritualidade e o VI Encontro de Filosofia da Educação do Norte e Nordeste – serão promovidos, respectivamente, pelo Instituto de Formação Humana, pelos Núcleos de Educação e Espiritualidade e de Teoria e História da Educação do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPE.

Por meio da realização conjunta desses três eventos, estaremos dando um passo fundamental no sentido do processo de consolidação científico-acadêmica das áreas da Formação Humana e da Espiritualidade, assim como evidenciando liames entre estas e a Educação e Filosofia – em outro post iremos tratar especificamente da relação entre tais áreas.

O campo da Formação Humana, como área de estudo, pesquisa e extensão, é ainda incipiente no Brasil. Como toda área emergente, ela surge como campo interdisciplinar, visto que toma por objeto algo que até então se situava em zonas fronteiriças de outros campos disciplinares. O surgimento dessa área e o esforço por sua consolidação acadêmico-científica se devem às necessidades evidenciadas pela própria realidade que se expressa na vida social, cultural e política de nossa sociedade.


Os diversos fenômenos de violência física, institucional, simbólica e linguística que acontecem em vários setores sociais (escolas, famílias, comunidades, instituições estatais e privadas, espaço urbano, etc.) de forma sistemática, assim como a dificuldade em se promover o desenvolvimento humano, social e econômico de forma articulada, além do desafio de fazer com que as pessoas venham a se comprometer integralmente com a formação de si mesmas por meio da orientação lúcida e significativa de suas vidas, tudo isso demonstra que a atual divisão que se impõe às instituições, políticas públicas e ao campo científico, entre educação e demais ciências do homem, ciências da saúde, comunicação e ciências sociais, não consegue compreender, promover, nem realizar aquilo que constitui o cerne do que aqui nomeamos por formação humana. Para melhor entendimento desta temática, clique aqui.



O campo da espiritualidade, considerado isoladamente ou em relação à educação, não é um campo emergente, visto que se constitui tema de reflexão e experiência milenares para determinados setores sociais e tradições filosóficas, místicas e religiosas. Os obstáculos que se impõem à consolidação acadêmica, teórica e científica dessa área se devem a razões históricas, sociais e de modelos civilizatórios que impuseram o rótulo de metafísico e religioso a todo conteúdo de experiência que não pudesse se traduzir diretamente nos modelos da ciência clássica, nem pudesse se reduzir exclusivamente ao âmbito intelectual-discursivo que caracteriza hegemonicamente a filosofia na era moderna. A lucidez e a profundidade dos insights sobre o ser humano e o Ser em geral, assim como o discernimento que daí deriva e se aplica à condução da vida humana em sua amplitude, jamais deixaram de existir apesar do veto da comunidade científica à admissão em seu meio. A própria história da educação ilustra a articulação deste campo com a espiritualidade em diversos contextos e momentos históricos. Durante as últimas décadas, diversos cientistas e renomados representantes de tradições espirituais vêm estabelecendo diálogos frutíferos e profundos à contribuição recíproca entre ciência e espiritualidade – o instituto Mind and Life é exemplo de iniciativa desse tipo. Considerando, portanto, que a educação é intrinsecamente um campo de saber e prática relativo ao ser humano, torna-se compreensível a relevância do diálogo entre os saberes e experiências que emanam da espiritualidade e da educação. Não temos dúvida, portanto, da relevância desse I Encontro Internacional de Educação e Espiritualidade.

Por fim, mas não em menor conta, o campo da Filosofia da Educação, subárea já consolidada no campo educacional, se expressa de modo plural, com todas as tendências filosóficas do espírito humano relativas à educação, mas não de modo avesso às compreensões relativas às temáticas anteriores. Aliás, foi por intermédio da expressão neste campo que várias das pessoas que trabalham na organização destes eventos puderam transitar para as temáticas da formação humana e da espiritualidade. Estaremos, na ocasião, dando continuidade à trajetória frutífera e enriquecedora da Filosofia da Educação nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, por meio deste encontro que já está em sua VI edição.


Iremos continuar a divulgar informações sobre os eventos neste blog.


José Policarpo Junior
Diretor-presidente do IFH e professor do Núcleo de Educação e Espiritualidade da Pós-graduação em Educação da UFPE

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Instituto de Formação Humana - IFH, realizará, no segundo semestre de 2012, o I Encontro Internacional sobre Formação Humana.
O encontro se caracterizará pela presença de especialistas internacionais convidados e por apresentações e diálogos de cientistas nacionais e internacionais na área da formação humana.
Pretendemos realizar este evento a cada dois anos.
Informações atualizadas sobre o evento (tais como inscrições, período, local, investimento, etc.) serão sempre postadas neste blog e em nossa página.
Se desejar manter-se informado sobre esta e outras notícias relativas ao IFH, registre-se em nossa lista.