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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Diálogo entre o secularismo e as tradições religiosas - reflexões de Habermas

O processo de formação humana, tal como exposto em posts anteriores, é algo impossível de ocorrer sem a contemplação, o esclarecimento e comprometimento progressivos do ser particular com o sentido daquilo que o humaniza e o orienta em seu estar no mundo. A despeito desta insubstituível dimensão formativa singular, dificilmente esta pode ocorrer sem que os entes particulares entrem em contato com instâncias do mundo social e cultural que lhes facilitem, promovam ou instem a trilhar seu próprio caminho formativo. Isto não quer dizer que serão as estruturas do mundo social e cultural que irão proporcionar a formação humana - mesmo porque, em muitos casos, o desenvolvimento humano pessoal, orientado pelo discernimento espiritual, ocorre apesar daquelas estruturas e não por conta delas, veja-se, o caso, por exemplo de Viktor Frankl, Gandhi, Martin Luther King e muitos outros -, mas um determinado clima de esclarecimento espiritual e formativo existente na sociedade pode ajudar alguns em seu trajeto formativo-espiritual próprio.

Neste sentido, considero muito promissora a hipótese de representantes da cultura secular ocidental passarem a se dar conta de que o sentido da vida humana depende de algo mais além da tradição iluminista radical que estruturou o secularismo na maioria das nações ocidentais. Com este espírito, incluo abaixo o link para um artigo de Frédéric Vandenberghe (Professor e Pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos - IESP-UERJ) sobre as últimas reflexões do filósofo Habermas a respeito da contribuição que pode advir do diálogo entre a tradição do esclarecimento secular dos países ocidentais e as tradições religiosas. Não se trata, como se pode ver no artigo, de nenhum dos lados abdicar totalmente em favor do outro, mas, sim, de que o próprio esclarecimento humano possa vir a se aprofundar.

O artigo foi publicado no boletim CEDES. Para ir direto ao artigo, clique aqui.

José Policarpo Jr.